TV via celular ganha espaço na Europa e Estados Unidos

Programas de televisão gratuitos para assistir em aparelhos móveis são comuns em quase toda parte exceto Europa e Estados Unidos, onde a resistência das operadoras e o emaranhado de padrões tecnológicos conflitantes, bem como problemas de licenciamento, impediram uso mais amplo dessa tecnologia.
Mas já há testes em curso em algumas regiões dos Estados Unidos, e o uso generalizado da tecnologia em países como a Coreia do Sul pode oferecer um vislumbre do que está por vir.
"A tecnologia tem imenso potencial", disse Hankil Yoon, vice-presidente de estratégia de produtos da Samsung, a fabricante sul-coreana de eletrônicos e uma das líderes no mercado de celulares dos Estados Unidos. "Nossa experiência demonstra que as pessoas gostam de assistir TV em celulares, apesar das telas pequenas. E gostam de assistir TV de graça. É só questão de tempo para que a tendência ganhe o mundo".
A Samsung, que inclui chips para TV móvel como tecnologia padrão em seus celulares inteligentes de preço mais elevado na Coreia do Sul, está produzindo um celular para a Sprint que funcionará com o padrão de transmissão de TV móvel dos Estados Unidos.
Na Coreia do Sul, a TV para celulares gratuitas está disponível amplamente há cinco anos. De acordo com as redes de TV do país, 27 milhões de pessoas - 56% da população sul-coreana - usam esse tipo de serviço regularmente.
Embora os sul-coreanos sejam os líderes mundiais em termos de TV móvel, a tecnologia também vem ganhando terreno na China, Sudeste Asiático, Índia, África e América Latina, onde 80 milhões de pessoas dispõem hoje de celulares capazes de receber transmissões de TV aberta gratuitas.
"Houve uma série de ciclos de entusiasmo forjado quanto à tecnologia para TV móvel", disse Anna Maxbauer, analista da IMS Research, de Austin, Texas. "Mas com os recentes avanços na duração das cargas de bateria e a crescente aceitação dos consumidores, o potencial de uma grande popularidade dos serviços é verdadeiro".
Ao menos 40 milhões de pessoas estão assistindo a programas de TV em seus celulares, este ano nos Estados Unidos, de acordo com Maxbauer. Os telespectadores norte-americanos podem em breve dispor de alguns aplicativos para facilitar a tarefa. Em 24 de maio, a Sprint e nove emissoras de TV aberta na região de Washington e Baltimore iniciaram um teste de quatro meses de duração no qual serão transmitidos programas de TV para celulares, netbooks e players portáteis de DVDs fabricados pela Samsung, LG Electronics e Dell.
E em abril, 12 redes de TV aberta e fornecedores de conteúdo televisivo dos Estados Unidos, entre os quais Fox, NBC, Gannett Broadcasting, Hearst Television e Cox Media, formaram uma joint venture a fim de combinar suas frequências de transmissão de TV, com o objetivo futuro de transmitir programas para 150 milhões de celulares.
Dave Lougee, presidente da Gannett Broadcasting, disse que os organizadores do teste, um grupo de 900 estações norte-americanas de TV conhecido como Open Mobile Video Coalition, tinham a esperança de que os consumidores adotassem rapidamente a nova tecnologia.
O teste está sendo apoiado por todos as facetas do setor norte-americano de televisão, incluindo proprietários de conteúdo, redes, fabricantes de equipamento para emissoras e anunciantes, estes representados pelo Television Bureau of Advertising e pelo Ad Council.
"Aguardamos ansiosamente para descobrir como os consumidores usarão a tecnologia", disse Lougee.
No complexo mundo da comunicação sem fio, a tecnologia de transmissão de TV aberta para aparelhos móveis é relativamente simples. Com um pequeno chip receptor e uma antena telescópica, um celular pode receber programação digital ou analógica aberta da mesma forma que qualquer outro televisor.
Na Coreia do Sul, 27 milhões de pessoas assistem a programas gratuitos de televisão em seus celulares, e outros dois milhões pagam para receber programas de TV via satélite, de acordo com as empresas de TV do país. A tela típica da Samsung tem três polegadas. Na Coreia do Sul, as transmissões gratuitas de TV aberta incluem publicidade.
"Nos mercados em que as pessoas utilizam esse sistema, constatamos que os índices de audiência tendem a ser bem altos", disse Diana Jovin, vice-presidente de marketing corporativo e desenvolvimento de negócios da Telegent Systems, a principal fabricante de chips para TV móvel, sediada em Sunnyvale, Califórnia.
A Telegent vem distribuindo mais de 750 mil chips mensais aos fabricantes de celulares, a maioria dos quais projetados para permitir a recepção de transmissões de TV analógicas em mercados como Brasil, Peru, Argentina, Rússia, Nigéria, Tailândia, Egito e China. O Brasil é um dos maiores mercados da Telegent.
No Rio de Janeiro, Marcelo Mendonça Guimarães, 42, taxista, diz que assiste a telejornais locais e nacionais em seu celular, por meio da operadora Claro.
"Meu celular para TV analógica me dá a oportunidade de assistir aos telejornais enquanto estou esperando passageiros ou faço uma pausa", disse Guimarães. "Tenho um televisor digital no meu táxi, na verdade, mas prefiro usar o celular porque a recepção é muito melhor".
Um grande obstáculo para as transmissões abertas de TV para celulares está, ironicamente, no fato de que sejam gratuitas. Isso não oferece incentivo às operadoras, porque não lhes oferece maneira de elevar a receita auferida.
"Se você perguntar a qualquer pessoa se ela deseja assistir TV de graça em seu celular, a resposta será sempre positiva", disse Jim Oehlerking, diretor sênior de desenvolvimento de TV móvel na Motorola. "O desafio é levar o mercado de mídia móvel a um ponto no qual os proprietários de conteúdo, operadoras de telefonia e redes de TV definam um modelo de negócios".
Mas com a disparada no nível de tráfego de dados nas redes sem fio em todo o mundo, algumas operadoras começam a pensar na TV aberta para celulares - que opera em modo separado e não aumenta o tráfego nas redes das operadoras - como caminho para a retenção de clientes.
Fonte: KEVIN J. O'BRIEN/ New york times/
Tradução: Paulo Migliacci ME

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