RIO - Da mesma forma que uma vírgula mal aplicada pode mudar o sentido de uma frase, um texto com erros de português pode prejudicar (e muito) a imagem de um profissional. Tudo porque o mercado está mais exigente quanto à qualidade da comunicação verbal e escrita, enquanto os profissionais - sejam candidatos a uma vaga ou funcionários em busca de uma promoção - têm apresentado dificuldades para escrever corretamente. Os motivos, dizem especialistas, remetem à evolução da tecnologia no mundo do trabalho, já que e-mails, redes sociais e ferramentas de chats on-line pedem uma linguagem dinâmica, informal e abreviada, distante dos princípios da norma culta.
Por estarem imersos nesse universo, os jovens da geração Y são os que mais cometem erros de ortografia, acentuação, pontuação e concordância, diz Adrian Tsallis, gerente regional do Grupo Foco, empresa de recrutamento e seleção. Mas não são os únicos.
- De 25 a 30% dos candidatos a programas de estágio e trainee são eliminados em provas de português. Mas pessoas com mais de 30 anos também apresentam problemas porque passam boa parte do dia em frente ao computador. É uma questão de perda de referência. Ao escrever mais "vc" do que "você", por exemplo, aumentamos nossas chances de esquecer que a palavra tem acento num e-mail formal - afirma Tsallis.
Segundo a coach Regina Giannetti, que promove treinamentos de comunicação verbal e escrita em grandes empresas, as dificuldades não passam apenas por problemas gramaticais. Textos confusos, com falta de coesão, não são raros no ambiente de trabalho, o que pode acabar gerando ruídos de comunicação e até mal-entendidos.
- Houve um caso emblemático de um fundo de pensão que emitiu um comunicado aos seus associados sobre mudanças no sistema de aposentadoria. O texto estava tão mal escrito que o call center recebeu, em média, 600 ligações por dia de pessoas querendo esclarecer dúvidas - diz Regina.
Fonte: O Globo

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