A busca por uma maneira de levar todas as possibilidades de vídeo pela internet para a TV de maneira simples continua, mas não está indo bem. O último grupo a tentar — Google, Logitech e Sony — fez esforços admiravelmente corajosos, mas, assim como outros anteriormente, falhou na primeira tentativa.
O Google TV — um software incorporado a hardwares da Logitech e da Sony — é bem diferente de produtos que competem no mesmo segmento, como o Apple TV e o Roku. Ao contrário dos demais, ele pretende unir o video na web com as TVs tradicionais em uma interface simples e num único aparelho que também seja facil de operar. Além disso, o objetivo é que o Google TV não se restrinja a um produto feito por encomenda e que ofereça apenas serviços de vídeo on-line específicos. Ele deixa você navegar por quase todos os sites com vídeo e exibi-los na TV.
Mas, por enquanto, eu relegaria o Google TV à categoria de produto para os aficionados da tecnologia, não uma solução fácil para a maioria dos usuários. Ao meu ver, ele é muito complicado e algumas das suas funções decepcionam.
Você pode conseguir o Google TV de três formas. A primeira é adquirir uma pequena caixa preta chamada Logitech Revue, que custa US$ 300 nos Estados Unidos. A segunda é por meio de um aparelho de Blu-ray Sony que sai por US$ 400 nos EUA. A terceira é comprar uma TV Sony com internet com preços a partir de US$ 600. Todas são mais caras que o Apple TV (US$ 99) ou o Roku (US$ 60), mas oferecem mais vídeo on-line e fazem o esforço de integrá-lo com a programação das TVs a cabo e por satélite.
O Google TV espertamente pega carona nas caixas existentes de TV a cabo ou satélite e pode controlá-los até determinado ponto. Portanto não há necessidade de trocar de comandos ou controles remotos, pelo menos teoricamente, para ir do vídeo na internet a um canal de TV tradicional — um problema com os concorrentes.
Eu testei o Google TV usando o Logitech Revue, apesar de também ter visto o Sony e ter recebido informações sobre ele, que é parecido e funciona de forma semelhante. A configuração tem 12 passos, leva cerca de 40 minutos e foi bem tranquila. Poderia ter sido pior se, como a Logitech avisa, a sua caixa da TV a cabo ou satélite exigisse a instalação de cabos especiais para permitir que o controle do Revue a opere, ou se você usar um sistema de áudio independente. Você precisa de uma HDTV com entrada HDMI na TV e na caixa do cabo ou uma caixa de satélite que use o Logitech Revue.
O controle do Revue é um teclado sem fio. Sim, isso mesmo, algo que você pode achar nada atrativo na sala de estar e que não é muito diferente do que você usaria se apenas conectasse o computador na TV. A Logitech oferece um "mini" controle opcional por US$ 130, mas ele é essencialmente um teclado minúsculo com teclas mínimas e um trackpad espremidos num espaço ainda menor. Ele é mais compexo de operar do que o teclado grande e muito mais complicado do que um típico controle remoto de TV. A caixa do Sony também vem com um minicontrole que parece complexo.
A chave para o Google TV, no entanto, é o software, e não o hardware. Há uma tela com as funções mais importantes, mas como o Google é o Google, é preciso fazer uma busca para a atividade principal. Você apenas digita o que quer ver e o Google TV exibe uma lista de resultados tanto da TV tradicional como da internet.
Infelizmente, nos meus testes, esse processo foi frustrante. Por uma razão: você obtém apenas alguns resultados e, na minha tentativa, eles geralmente não eram os corretos. Quando eu estava procurando a transmissão da cerimônia do prêmio Mark Twain para Tina Fey, tudo o que Google me apontava eram pequenos clipes no YouTube. Eu tive que fazer uma busca completa na internet (uma opção padrão na breve lista que o Google apresenta) e então navegar por uma tela de resultados padrão do Google, que era ilegível a 30 centímetros sem um zoom, para encontrar o programa completo no site da PBS (emissora pública dos EUA).
Quando finalmente consegui achar a página da PBS, nós assistimos ao programa, mas os pixels eram visíveis, mesmo com a alta velocidade de minha conexão de internet. Em outro caso, eu queria ver os novos anúncios com temática dos Beatles na Apple, mas os primeiros resultados do Google não os incluíram. Naveguei manualmente pelo site da Apple, onde os anúncios eram proeminentes, mas descobri que o Google TV não roda o QuickTime, o formato de vídeo da Apple (a empresa disse que tem planos de fazê-lo). Eu sabia que os anúncios também estavam no YouTube, então fui lá e os acabei encontrando, com algum esforço, mas eles travaram na hora de tocar.
Fiquei igualmente frustrado tentando encontrar programas de TV tradicional do cabo. A menos que você tenha a caixa de uma operadora de satélite, o Google TV não pode procurar nos seus programas gravados nem permitir que você, quando encontra um prestes a começar, programe a gravação. Você irá provavelmente mudar para o controle remoto tradicional para fazer isso, o que compromete o objetivo de integração do Google.
Igualmente confusa é a tela do Google TV, que tem categorias que se sobrepõem. Por exemplo, há uma fila para alguns dos seus podcasts e sites favoritos, e um Bookmark para outros. Há um menu de aplicativos que leva você até aplicativos especialmente desenhados que o poupam de navegar na internet comum. Mas também há uma categoria Spotlight feita sob encomenda para websites simplificados que, para um usuário médio, significa a mesma coisa. E, até agora, você pode apenas procurar pelos nomes da maior parte dos aplicativos, e não pelos conteúdos.
O Google planeja adicionar o Android Market para o Google TV. Isso seria bom, adicionando mais funcionalidades. Mas também há riscos de acrescentar mais complexidade, a menos que o Google redesenhe a interface.
O Google TV tem seus pontos fortes. A integração do vídeo on-line e a TV tradicional, apesar das falhas, é uma ideia inteligente. Existe até uma ferramenta que permite assistir à TV enquanto, digamos, se usa o Twitter ou alguma outra função da Web. E a caixa do Logitech tem uma câmera opcional por US$ 150 que permite fazer chamadas com vídeo grátis. Mas este ainda é um produto 1.0.
Fonte: Walter S. Mossberg/ The Wall Street Journal

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