Compra coletiva, um mercado que pensa grande

Fico contente em ver que a economia tem surpresas como as que estamos vendo ultimamente. A dinâmica dos negócios apoiados na evolução da tecnologia – e principalmente do acesso à internet de um número cada vez maior de consumidores – tem provocado verdadeiras revoluções na forma dos negócios online. Apenas 2 anos desde a criação deste modelo de negócio, o segmento de compras coletivas já movimenta alguns bilhões de dólares na economia mundial, e abre milhares de novas oportunidades de emprego mundo afora. Vale ainda lembrar que o Groupon, pai da ideia, é tido hoje como a companhia de internet de crescimento mais rápido de todos os tempos.

No Brasil, neste primeiro momento, ocorre uma expansão massiva de novos players, em especial pela facilidade de se abrir um negócio desta natureza e também pela aceitação do mercado. O negócio oferece vantagens a todos: o usuário (grandes descontos), o lojista/empresário (novos clientes) e ao site promotor dos negócios (divide os ganhos). Mas a expansão ocorre, principalmente, porque o mercado aprovou o modelo. É natural que, nos próximos meses, o modelo de compras coletivas seja testado em cada cidade do pais. Desde que o munícipio tenha clientela para viabilizar o negócio, é claro. Adaptações vão ocorrer – por cidades, estados, regiões do pais. Nichos deverão se formar. Muitas iniciativas com certeza ficarão pelo caminho. Outras, serão adquiridas por grupos maiores. Nos Estados Unidos, percebe-se uma concentração dos negócios em poucas empresas (Groupon e Livingsocial, para citar as maiores). Por isso o espanto de algumas pessoas em ver no Brasil quase 250 sites de compras coletivas em apenas 8 meses. E, para quem tem acompanhado esta evolução mostrada pelo site do Bolsa de Ofertas, arrisco uma previsão: devemos encerrar o ano de 2010 com mais de 500 sites, caso se mantenha o ritmo de crescimento até aqui apresentado.
No entanto, preocupa se estas empresas e sites estão apenas se lançando por empolgação. O mundo dos negócios não é feito para amadores. Toda iniciativa econômica deve estar pautada no planejamento, através de um bom plano de negócios. É preciso ter uma estrutura organizacional adequada, e também investimentos para atrair e principalmente manter fiéis os clientes e parceiros. Sabemos que este é um setor novo, e ainda não conhecemos a existência de pesquisas de comportamento do consumidor de compras coletivas consistentes para poder enxergar com clareza os próximos passos. E quem tem vai guardar a sete chaves.
Aqueles que nasceram com maior estrutura administrativa, equipe de marketing, capacidade de investimento publicitário e em pesquisas deverão se sobressair e dominar parcelas significativas do mercado.

Os que já tem experiência em negócios de  internet sabem que este meio é recheado de novas surpresas tecnológicas  e de concepção do formato do negócio. Quem hoje acha que está numa posição confortável e se acomoda pode estar ficando fora do jogo. O fator criatividade e inovação é muito importante para prever o futuro do seu negócio perante a concorrência.

Não vejo que no Brasil haverá concentração de mercado aos moldes do que ocorreu nos EUA.   Acredito sim em inovações e aperfeiçoamento na forma do negócio,  com liberdade do comerciante ter um papel mais ativo no desenvolvimento e apresentação das ofertas de compras coletivas.  Seria patético, por outro lado, pensar na existência de um site para cada município aos moldes do que os sites apresentam hoje.  (5 mil sites de compra coletiva no Brasil?). Mas, certamente, teremos pelo menos uma centena de sites atendendo esse enorme mercado brasileiro com viabilidade econômica.

Cledson Faust – Engenheiro, administrador de empresas ( ESAG), foi facilitador do EMPRETEC/SEBRAE, amante das inovações do mercado e colaborador do bolsadeofertas.com.br

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