RIO - Questionada recentemente por uma menina se poderia receber um convite por e-mail, a cantora e compositora Maria Bethânia respondeu de forma categórica: "E-mail não, sou uma velhinha. Manda uma cartinha". Em plena era digital, é o que tem feito muitas empresas - não necessariamente "velhinhas", como se denomina a artista - quando precisam se comunicar com clientes, parceiros e até fornecedores. Tudo por acreditarem que o envio de correspondências, ao contrário das mensagens virtuais, ainda transmite uma sensação de acolhimento e exclusividade ao destinatário, facilitando o seu processo de fidelização, como mostra reportagem de Paula Dias, publicada no Boa Chance deste domingo.
A opção pela tradicional mala direta, dizem empresários de diferentes segmentos, passa também pelo momento de saturação da ferramenta de e-mail marketing. Em meio à tanta informação, a chance de o interlocutor final deletar uma mensagem sem sequer pôr os olhos nela é enorme.
- É por isso que a mala direta está longe de ser uma ferramenta ultrapassada. O cliente pode até não gostar de receber esse tipo de correspondência, mas a partir do momento que recebe, dificilmente joga fora sem antes dar uma lida. E esse processo pode gerar muitos clientes em potencial - afirma Romário Fonseca, diretor da Lopes no Rio.
Não à toa, imobiliárias estão entre os segmentos empresariais que mais investem em comunicação por correio, ao lado dos bancos e das companhias de telecom, diz Waldemar de Almeida, diretor da PMD Marketing Group, organização com mais de 40 anos de experiência em soluções de marketing direto:
- Estatísticas mostram que quando o e-mail da empresa escapa dos mecanismos de spam, ele acaba sendo visualizado apenas por 8% dos destinatários. Desse grupo, só 3% clicam na mensagem para buscar informações adicionais sobre o produto ou serviço que está sendo oferecido. Já a boa e velha mala direta garante índice de leitura de quase 97%, com 30% de chances de o cliente fechar negócio posteriormente.
Além de garantir maior abrangência no contato com o cliente, o envio de mensagens por correio potencializa o seu sentimento de estima. É por saber disso que muitas empresas, especialmente as de moda, não abrem mão de enviar a seus clientes catálogos de fotos de seus novos produtos. A City Shoes - marca de calçados, bolsas e acessórios femininos - envia, anualmente, cerca de 200 mil catálogos de suas três coleções. Segundo Patrick Wellisch, diretor de Expansão e Novos Negócios da empresa, cada publicação aumenta em 15% o potencial de vendas. E supera de forma incalculável as expectativas quando o assunto é fidelização.
Fonte: O Globo

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