Tendência é como um tsunami. A onda virá com certeza ou você se prepara para ela e surfa em sua crista quando chegar a hora ou ela virá e lhe afogará”. A afirmação é do escritor, consultor e estrategista de Marketing Digital Conrado Adolpho Vaz, autor do best seller Google Marketing - O Guia Definitivo do Marketing Digital, que já está com a terceira edição esgotada. Verdadeiro guru de uma legião de interessados em como a Internet e as novas tecnologias interativas têm mudado o comportamento do consumidor, ele esteve em Fortaleza esta semana para ministrar uma palestra no Grupo de Comunicação O POVO. Nesta entrevista exclusiva, Conrado fala sobre sua visão pessoal da Internet, sobre os novos tempos do mercado e, claro, antecipa as tendências que estão por vir.
O POVO - O senhor tem uma visão muito pessoal da Internet, que costuma chamar atenção nas suas palestras. Que visão é essa?
Conrado Adolpho Vaz - Eu parto do princípio que a Internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas. Você não precisa entender de tecnologia para ganhar dinheiro com a Internet. Precisa entender de gente. A Internet chegou ao Brasil em 1995. De lá para cá, o ser humano não mudou. O que mudou foram as ferramentas.
OP - O que o advento do mundo virtual e das tecnologias interativas mudou no mercado?
Conrado - Cada vez mais estamos comprando informação sobre um produto e cada vez menos estamos comprando o produto em si. Está é a base do e-commerce. Quando você acessa um site, recebe informações sobre um objeto e decide adquiri-lo. Percebe que a informação é o que você compra na verdade? Saímos da economia dos átomos e entramos na economia dos bits.
OP - Dentro de um cenário com mudanças tão aceleradas, quais são as tendências que realmente farão a diferença?
Conrado - Tendência é como um tsunami. A onda virá com certeza ou você se prepara para ela e surfa em sua crista quando chegar a hora ou ela virá e lhe afogará. Na minha opinião, hoje as tendências são Inovação Aberta, Geolocalização, a Web 3.0, que é uma coisa mais para frente, e Co-criação.
OP - O senhor poderia definir Inovação Aberta?
Conrado - Hoje, as empresas têm uma quantidade de problemas para ser resolvidos enorme, e elas têm uma equipe limitada, assim como recursos limitados, você não pode fazer tudo. O que você faz? Você consegue se aproveitar da inteligência coletiva. Você pega o seu problema e joga esse problema para o mercado resolver. Por exemplo: o Fiat Mio. A Fiat lançou – no You Tube, na Internet de uma maneira geral, criou um blog para isso – a seguinte pergunta: “Qual é o carro do futuro? Como vai ser o carro do futuro?”. Quem vai falar como vai ser o carro do futuro é quem usa o carro, não é a Fiat, são as pessoas que querem um determinado carro. Então ela abriu um blog para que as pessoas falassem o que elas gostariam em um carro do futuro. “Ah, é um carro menor, porque o trânsito está muito intenso, eu preciso de um carro pequenininho”. “É um carro que só caiba duas pessoas, porque o banco de trás quase nunca é utilizado”... Tudo isso entra em um carro que foi definido segundo as demandas dos consumidores, no blog que a Fiat criou para isso, e esse carro foi exposto em outubro no Salão do Automóvel. Quer dizer, virou realidade. E aí talvez seja fabricado em escala e tal. Mas ele estava lá, e era o carro do futuro, que a Fiat transformou, segundo o que ela escutou das pessoas, em um carro. Isso é Inovação Aberta. Você coloca para o mercado perguntas que você não sabe responder. Para a Tecnisa Ideias qual é a grande pergunta: “Qual seria o lugar ideal para você morar?”. Porque eles são uma incorporadora, o que eles querem saber é se você quer apartamento de um quarto ou dois quartos; se você gosta de apartamentos maiores ou continuamos com os menores. Tudo isso as pessoas responderam e a partir disso eles começaram a fazer, a juntar essas idéias para criar um melhor lugar para se morar. Isso é inovação aberta. Junto com inovação aberta você tem a Co-criação.
OP - O que é Co-criação?
Conrado - É você criar o produto junto com o seu consumidor, como é o caso do Build a Bear, a empresa norte-americana que proporciona a você criar um ursinho de pelúcia junto com a empresa. Existem vários quiosques dessa empresa nos shoppings de São Paulo. Você chega no balcão e escolhe todos os itens de seu ursinho e sai de lá com um objeto único. Vamos pensar no conceito de liderança. O que é liderança? Uma pessoa é líder a partir do momento em que todas as outras olham e falam o seguinte: “se eu seguir esse cara, ele vai levar todo mundo aqui para um lugar melhor do que a gente está hoje”. Esse cara é um líder. A empresa que vai ser líder daqui a muito pouco tempo vai ser aquela empresa que promover para seus consumidores uma plataforma para que esses consumidores se apóiem nela, para que eles consigam uma colocação melhor no mundo. Como assim? A Build a Bear não faz o fim, ela promove uma plataforma que faz o fim. E aí você vai lá e faz o seu fim. A Dell não monta o computador e vende para você, ela te propõe uma plataforma de montagem de computador e fala: “monte o seu computador”. E aí você junto com ela monta o computador. Essa é a empresa líder, empresa líder em servir ao mercado e não se servir do mercado. E uma outra coisa, é a liderança servidora, mas com apoio total da tecnologia.
OP - E a Geolocalização?
Conrado - O que acontece hoje é que você tem um mundo global na Internet, só que você sempre atira neste mundo com uma bala muito grande e não necessariamente você atinge a formiga, você abre um rombo em torno dela e não a atinge. O que é a Geolocalização? É ele, o site, saber onde você está e apresentar resultados que sejam completamente relevantes para você. É você digitar no Google “curso de inglês” e ele te indicar lugares perto do seu IP.
OP - Nessa nova web nós teremos que reconsiderar o sentido de privacidade, então?
Conrado - Vamos esquecer a palavra “privacidade” e pensar na expressão “nível de privacidade”. É a mesma coisa que segurança. Não são conceitos binários: ou você tem privacidade ou não, ou tem segurança ou não. Você tem um nível de privacidade, que você escolhe. Privacidade total? Esquece. Já era, ficou nos primórdios. Hoje você tem um nível de privacidade onde você está mais ou menos exposto. É assim.
Fonte: Émerson Maranhão/ O Povo
1 comentários:
Faz mas de um ano que ouço o Conrado Adolpho falar a mesma coisa... e muitas empresas ainda não etendem ou não querem entender!
2/07/2011 10:15 PMPostar um comentário